13 de jul de 2017

0001






Lua que se perde
Sem som na luz do sol.
sou lua na sombra.
(Fátima, 13.07.2017 - Haicai)

9 de jun de 2017

Papoulas



Eu teria vivido sem que as papoulas estivessem floridas.
Porque hoje, quando as encontro radiantes, choro a saudade que sinto do ultimo abraço, 
do ultimo beijo... 
da ultima caminhada que fiz contigo.
Ironia, as papoulas insensíveis à minha dor, continuam lindas em qualquer lugar.
(Fátima, 09/06/2017)

15 de mar de 2017

Pensar


Penso, repenso.
Sem jeito, rejeito.
Com jeito lembro.
Lembro e não esqueço.
Quando repenso, somente penso.
(Fátima, 13.03.2017)

6 de fev de 2017

Mensagem
















Queria fazer parte do teu sono para te despertar.
Dizer da coisas que sinto, repetir aquelas que sabes e falar das que me sufocam.
Queria fazer parte dos teus momentos e cada novo dia,
sentir teus carinhos, teu calor
desejos que a distancia não permite.
E se tento sair desta realidade silenciosa que me acompanha,
só me vejo buscando razões e desvendando mistérios.
Não quero acreditar em pressentimentos.
Não quero esquecer sentimentos.
Preciso caminhar sem olhar para trás,
continuar a vida sem planos ou metas
porque só desta forma derrotas não existem.
Para algumas pessoas, sonhos são somente sonhos
mesmo quando na madrugada só o silêncio existe.
O teu silencio. 
(Fátima, 28.06.2003)

Só silêncio






Ainda resta a sensação de ter sido chamada. 
Mas ficou o silêncio. 
Entendo que perdi o momento por não ter acreditado nesta possibilidade. 
Nestes dias, na minha alma não há vagas para ilusões, ainda que pequenas. 
(Fátima, 28/03/2015)

29 de dez de 2016



Das ruas da cidade

As ruas da minha infância, não tinham calçadas nem eram calçadas...
Nas ruas da minha infância ficavam pegadas do homem, do bicho... 
de mulheres, de crianças... do tempo.
até olho d'água nascia da terra...
Nas poças da chuva refletia o meu céu.
Naquelas ruas, também encontrávamos esculturas da lama das enchentes,
No encontro da terra com o rio, eu sentia cheiro de liberdade...
Tinha beleza no horizonte distante, tinha cheiro de mistérios.
Sombras de figueiras resistentes, agua fresca de poço profundo.
Caminhos de casas de fazenda, outros caminhos de gado.
Tinha pegadas de tudo e todos.  Rastros de vidas... de mortes.
Aquelas ruas e só nelas eu vivia sonhos e a dor de tudo o que ficava no passado.
Era possível se ouvir o riso dos que partiram, o choro do coração que sentiu a distancia.
Ouvido também era o chamado da mãe preocupada e os passos do pai que retornava,
Cumprimento do compadre, saudação carinhosa da comadre.
Naquelas ruas, sempre o vento me envolvia, me enfeitiçava, me transformava...
Naqueles caminhos, ficaram também  minhas pegadas buscando uma historia interrompida.
Pedaço de vida que nunca reencontrei.

(Fátima - 29.12.2016)






18 de ago de 2016




Viver o momento de uma despedida,  é como sofrer um corte profundo. Acontece e momentos depois,  a dor nos faz perceber sua gravidade...  Por muito tempo aquilo nos faz sofrer... lembrar... depois, acostumamos com a ausência de tudo. E só a cicatriz é que faz a alma doer outra vez... E então é dor sem solução... (Fátima, 18.08.2016).

11 de abr de 2016

Pequenas ilusões












Alguém que chama. Chamados que espero.
Mas, há uma enorme possibilidade de que não sejam aqueles mais desejados.
Os anjos, que se calaram na porta parecem chamar na janela.
É talvez a saudade que engana.
É o que vida oferece e ouço apenas porque na minha alma não ha mais lugar para pequenas ilusões!
(Fátima, 28/03/2015)

30 de mar de 2016

Ainda

Há dias, que dependendo do que ficamos sabendo, é melhor calar. 
Há dias, que o cinismo se dá ao luxo de invadir almas com vazios... 
Há dias que os vampiros emocionais se vestem de anjos... 
e encantam tanto quanto cantam seus hinos de amor... 
Há dias e pessoas que ainda entenderão.
(Fátima, 29/03/2016)



16 de mar de 2016

Minha mãe

Cedo lembrei do aniversário dela. Lembrei do ritual que vivíamos nestes dias. Se fosse num dia de semana, ela já teria recebido os parabéns pelo aniversário e meu pai, já teria também servido ainda na cama o primeiro cafezinho do dia... E mas, se dia 17 fosse num final de semana, mais precisamente num sábado,  seria muito muito festivo...  eu ficaria ansiosa e faria o impossível para não mudar os acontecimentos... os tempos eram outros.
Hoje acredito que sempre fazia um dia lindo, penso que sempre tinha sol... E, inúmeras vezes, eu me sentava no banco do caramanchão de rosas que tinha na frente de casa. Esperando. Por pouco  tempo...eu  corria para dentro de casa... eu ficava extremamente agitada. Ela, cheia de paciência, com o mesmo olhar que sempre me amor, me abraçava e afirmava com sabedoria que tinha, que o tempo era assim mesmo... lento quando precisávamos dele.
Enquanto esperávamos, meu pai preparava a embalagem do saco de farinha de mandioca,  novinha, que tinha comprado para levarmos... ao lado, ficava o saco de laranja açúcar, recém apanhada do pé, que ficava atrás da oficina... ela atendia a visita rápida das vizinhas e amigas que a cumprimentavam...
E quando eu menos esperava, surgia na curva a rural verde. Ela a alegria chegando. Hermano dirigindo, Yvette ao lado, Claudia, Léo e Maninho no banco traseiro. Lembro dos seus olhares e dos seus sorrisos... éramos cheios de cumplicidade...  A nossa festa começava.
Enquanto minha mãe e meu pai recebiam todo o carinho deles, nós quatro, com toda a energia do mundo corríamos vivendo a liberdade que tínhamos... Eu tinha muito orgulho de dividir todo meu espaço...
O café era servido e o pãozinho tinha por companhia a tradicional bananinha frita. E depois, depois rumávamos  todos para Itajaí, e passávamos o final de semana alí... e festejávamos com todos...
Tenho certeza que era o melhor presente que minha mãe recebia. Ficar junto com suas irmãs... Viver a família da qual amava e muito se orgulhava...
Tenho agora, momentos semelhantes com Yvette e Hermano. Com a Léo e com a Claudia e guardo com carinho a amizade especial que tive com o Maninho.

Hoje, aqui, não vai ter festa. Há muito tempo, ela partiu. Acredito que, neste dia, em algum lugar no céu a nossa, a minha Nega Zélia,  está comemorando. Ela pode. Yvette, Hermano, hoje nós ficamos só com a saudade.
(Fatima, 17/03/2016)

6 de mar de 2016

Casa da comadre

E na lembrança, do tempo que passou...
Ainda sinto o cheiro da marcela colhida ao amanhecer da Sexta Santa, que  
penduradas em pregos enferrujados, secava nas paredes da casa, do rancho...
pregos que também recebiam o milho da colheita. 

Nos ouvidos da minha memória resgato a sonoridade da batida ritmada da batedeira de manteiga. 
Ou quem sabe, do velho pilão com café...

No olhar perdido revejo jaqueiras carregadas e goiabeiras faceiras e não tem como esquecer o sabor das doces e cobiçadas laranjeiras. 

Não eram longínquos, nem tortuosos os caminhos que alcançavam os sonhos de qualquer infância, 
porque aquela casa, ainda que cheia de mistérios, 
era o único lugar talvez que a vida parecia ser absolutamente intensa. 

E assim era a alma da minha infância, repleta de todos os sentidos dentro do meu corpo então miúdo.

Impossível esquecer comadre Maria e o seu benzimento com fé...
Impossível esquecer a voz que rezava e abençoava...
(Foto FB Eloisa Perini.
Impossível não sentir saudades do que o tempo levou quando passou...
(Fátima, 2015)



Ecos














Encharco o meu corpo com o barulho da chuva, 
Com o vento frio, 
perco o que resta do equilibro que finjo manter na alma.
O silencio da noite cria ecos das batidas do meu coração... 
Perdi a oportunidade que a lua me deu quando antes iluminava meus caminhos...
(Fátima, 2015)
É a gostosa loucura dos sentimentos que me embala a vida, 
me segue, 
mexe com a minha alma,
e me faz dar gargalhadas de tudo que vivo, 
por mais estranho que pareça. 
(Fátima, 16/07/10).


16 de nov de 2015

Segredos

Guardo segredos
tão meus...
São alguns... sete talvez que silenciosamente enraizaram no meu interior,
no mesmo tempo que vivi...
enquanto minha alma crescia...
Apenas segredos...
Importa eu saber deles.
(Fátima, 06/11/2015)

Doença

Pensamentos...
É doença que não cura,
que não tem remédio.
Neles outra vez te encontro.
Meus pensamentos, são teus...
Amar-te é doentio.
(Fátima, 11/11/2015)

Maria Louca

Maria que fala,
Maria que cala,
Maria da vala,
Maria da faca...
Louca... muito louca,
que grita,
que chora e sabe o que não sei...
Amou
Ama...
Agora chora,
E grita.
Grita por mim, por outros
loucos que não se aceitam.
Só para ser louca...
Maria só...
Maria que é Maria.
(Fátima, 06/11/2015)


Anotações de Agenda

Que a distância de quem se ama, não exista.
Se existir que seja compensada.
Que haja reencontros, sempre!
(Fátima, 15/11/2015)

Anotações de Agenda

Há dias que anarquizo a vida com minha imaturidade e inconsequência deixando recados com metáforas... preciso desenhar ainda? (Fátima, 16/01/2015)

Casa da Herondina



Esta rua já não é mais a mesma de outros tempos.
Nela, restaram lembranças apenas.
Minha memoria angustiada,  busca a casa que fazia parte dos meus dias...
Vejo edificações enormes... tapumes, caminhões de concreto...
A casa que procuro não existe mais...
Realidade que nunca imaginei. 
Triste, percebo: a casa da Herondina, também foi demolida.
Em pensamentos me vi, naquele quintal... sonhando, vivendo, construindo castelos e cidades com  prédios de areia umedecida...
Em segundos, me vi assim outra vez.
Ouvi minhas gargalhadas, as conversas dos amigos,  dos familiares...
E com tristeza na infância das crianças que serão criadas nestes prédios...
Filhos modernos, criados em corredores cheio de portas fechadas...
Filhos calados, de risos limitados pelo silêncio obrigatório...
Filhos que jamais saberão  o que é “um quintal com areia e arvores”...
Nunca sentirão  o cheiro da terra de suas aventuras...
É assim que vejo a casa da Herondina, tanto quanto meus castelos e meus prédios de areia que fugiram das minhas mãos e se perderam nas lembranças  do meu tempo.
(Fátima - 16/11/2015)

2 de out de 2015

Anotações de Agenda

Esta certeza de ter vivido muitos dos dias que vivi existe por ter sentido neles muitas saudades tuas. (Fátima, 17/08/2015)