13 de mar de 2010

Publicado no Diarinho - 12.03.2010


Falta jogo de cintura pros comerciantes de Navega

“Há algum tempo me contaram uma história que até hoje não sei ser verdadeira ou é apenas uma lenda. Havia, no interior, um pai de família bastante pobre e até então humilde, que mal conseguia se sustentar e sustentar sua família. Por isso vivia da ajuda de pessoas bondosas. Vizinhos, para não o humilhar, então, sugeriram que passasse a vender em sua casa lenha retirada do mato e quem sabe querosene para seus lampiões. O tal homem, que achou boa a ideia, passou a comercializar tais produtos. Os vizinhos, solidários, compravam para estimulá-lo. Passado alguns meses, já com uma pequena freguesia, quando era procurado ‘fora do seu horário comercial’, gritava para o cliente do interior de sua casa: “Que espere, quando eu era pobre também esperava”.
Definitivamente, saber vender é uma arte. Acredito nisso. Acredito, contudo, que quem se propõe a comercializar sua habilidade, seu produto, tem como perspectiva crescer no mercado, tornar-se conhecido, obter lucros, cativar compradores.
Após algum tempo residindo em Navegantes, constato que a grande maioria dos comerciantes deixa e ou obriga seus clientes a fugirem por entre os dedos. Aqui, o cliente normalmente não é o maior potencial do comércio proposto.
Não sou da área, mas o que observo e vivi em diversas oportunidades - e também soube de outras situações semelhantes - é que na cidade o freguês parece não ter a importância que a arte da venda do produto requer e se vê obrigado a buscar em outras praças a mercadoria que deseja ou a prestação de serviços.
Raríssimos são os comerciantes navegantinos que primam pelo atendimento daqueles fregueses residentes/moradores/nativos desta cidade. Muitos parecem fazer o possível para que sejam atendidos por seus concorrentes das cidades vizinhas, pois sequer sabem dizer de forma agradável o ‘não tem’, ‘não dispomos no momento’, ‘estamos sem condições de lhe atender agora’. Sequer sabem deixar o cliente preso a uma resposta educada que lhe faça ter a paciência de aguardar outra oportunidade para ser atendido, em vez de buscar o que almeja em cidades vizinhas.
Sabemos que existem cursos que orientam, técnicas que ensinam o caminho para bons negócios. É tempo de buscar estes meios e inovar de alguma forma o comercio navegantino, terra que pode ter orgulho de dizer que tem modernidade instalada em grandes empresas. É tempo de se tomar uma atitude, quer na prática de bons atendimentos, quer na prática do melhor preço, quer também no rodízio de atendimento dos comércios tidos como essenciais (que não existe). Quero, como tantas outras pessoas, viver e prestigiar o comércio daqui, e Navegantes quer e precisa crescer. Para isso também precisa contar com seus comerciantes/empresários e cativar seus moradores. Isso é fundamental.”
Ass: Maria de Fátima de Souza Ignácio
(Transcrito ipsis litteris)

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