17 de jun de 2010

Cumplicidade com o rio


Era assim,
a liberdade parecia estar sempre sempre do meu lado.
Quando amanhecia e as gotas do orvalho ainda refletiam a luz do sol que chegava, eu estava lá, olhando o rio que silencioso se movimentava gigantesco no meu olhar de criança.
Sentia o nariz gelado do frio e tentava encontrar a resposta para todos os mistérios que me assustavam e faziam parte do meus pensamentos.
O meu mundo, o mundo que eu tinha disponível era gigantesco, imensurável.
Inúmeras vezes, eu me transportava nas canoas da minha imaginação aos lugares que queria conhecer e buscava saber do destino que teriam aquelas águas aparentemente tranquilas. Então, ingenua e inocente, jogava garrafas lacradas com mensagens e meu endereço, acreditando que fariam contato comigo. Nunca obtive respostas... lembro dos dias que ficava solitária junto ao pé de chorão sonhando e esperando. Somente o velho rio sabia dos meus segredos.
Quando o cansaço tomava o lugar dos sonhos, eu corria entre as árvores do quintal da minha infância, brincava com as sombras que se formavam e vencida pela espera, buscava enfim a segurança da minha casa, acreditando em novas aventuras aconteceriam no dia seguinte.
De tudo apenas o rio restou, misterioso e desafiador.
Eu sentia orgulho do meu rio e da cumplicidade que tinhamos um com o outro.(Fátima 17.06.210)

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