16 de mar de 2016

Minha mãe

Cedo lembrei do aniversário dela. Lembrei do ritual que vivíamos nestes dias. Se fosse num dia de semana, ela já teria recebido os parabéns pelo aniversário e meu pai, já teria também servido ainda na cama o primeiro cafezinho do dia... E mas, se dia 17 fosse num final de semana, mais precisamente num sábado,  seria muito muito festivo...  eu ficaria ansiosa e faria o impossível para não mudar os acontecimentos... os tempos eram outros.
Hoje acredito que sempre fazia um dia lindo, penso que sempre tinha sol... E, inúmeras vezes, eu me sentava no banco do caramanchão de rosas que tinha na frente de casa. Esperando. Por pouco  tempo...eu  corria para dentro de casa... eu ficava extremamente agitada. Ela, cheia de paciência, com o mesmo olhar que sempre me amor, me abraçava e afirmava com sabedoria que tinha, que o tempo era assim mesmo... lento quando precisávamos dele.
Enquanto esperávamos, meu pai preparava a embalagem do saco de farinha de mandioca,  novinha, que tinha comprado para levarmos... ao lado, ficava o saco de laranja açúcar, recém apanhada do pé, que ficava atrás da oficina... ela atendia a visita rápida das vizinhas e amigas que a cumprimentavam...
E quando eu menos esperava, surgia na curva a rural verde. Ela a alegria chegando. Hermano dirigindo, Yvette ao lado, Claudia, Léo e Maninho no banco traseiro. Lembro dos seus olhares e dos seus sorrisos... éramos cheios de cumplicidade...  A nossa festa começava.
Enquanto minha mãe e meu pai recebiam todo o carinho deles, nós quatro, com toda a energia do mundo corríamos vivendo a liberdade que tínhamos... Eu tinha muito orgulho de dividir todo meu espaço...
O café era servido e o pãozinho tinha por companhia a tradicional bananinha frita. E depois, depois rumávamos  todos para Itajaí, e passávamos o final de semana alí... e festejávamos com todos...
Tenho certeza que era o melhor presente que minha mãe recebia. Ficar junto com suas irmãs... Viver a família da qual amava e muito se orgulhava...
Tenho agora, momentos semelhantes com Yvette e Hermano. Com a Léo e com a Claudia e guardo com carinho a amizade especial que tive com o Maninho.

Hoje, aqui, não vai ter festa. Há muito tempo, ela partiu. Acredito que, neste dia, em algum lugar no céu a nossa, a minha Nega Zélia,  está comemorando. Ela pode. Yvette, Hermano, hoje nós ficamos só com a saudade.
(Fatima, 17/03/2016)

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